A Bacia do Alto Paraguai

 

O Sistema Paraguai-Paraná, também conhecido como Depressão Sub-Andina, abrange o Pantanal e inclui as áreas úmidas do rio Paraguai médio e inferior e o vale aluvial do rio Paraná médio e inferior até a desembocadura do Rio da Prata. Essa região forma um dos corredores de áreas úmidas de água doce mais extenso do planeta, integrando áreas na Argentina, Brasil, Bolívia, Paraguai e Uruguai. A Bacia do Alto Paraguai (BAP) integra o sistema Paraguai-Paraná e abrange Brasil, Bolívia e Paraguai.

Com aproximadamente 600 mil km2, Bacia do Alto Paraguai pode ser dividida em uma região alta, denominada Planalto (217 mil km2), onde nascem os rios que formam essa imensa bacia hidrográfica; e uma região baixa e plana, denominada Pantanal (160 mil km2), que é temporariamente e parcialmente inundada pelo rio Paraguai e pelos seus principais afluentes todos os anos. Sua região é transfronteiriça e abrange áreas na Bolívia, Brasil e Paraguai.

As nascentes dos principais rios da BAP estão no Cerrado, na Chapada dos Parecis, em Mato Grosso. Essas áreas de planalto, que pode atingir até 1.400 metros de altitude, são fundamentais para a existência da biodiversidade e equilíbrio da planície, pois a relação entre as nascentes nas terras altas (planalto) e os rios das áreas de depressão (planície) é a responsável pelas características ecológicas e culturais de toda a região, criando um pulso de inundação que dita o ritmo da vida na Bacia.

O chamado Arco das Nascentes contorna os divisores de água da Bacia e está presente em uma área extensa que vai de Rondonópolis (MT), passando pela Chapada dos Guimarães (MT), Diamantino (MT) e Cárceres (MT), no Brasil. Essas regiões das nascentes dos rios Paraguai, Sepotuba, Cabaçal, Jauru, Cuiabá, São Lourenço, Manso, Rio dos Bugres, Coxim e Taquari são responsáveis pelo fornecimento de 70% da água que corre para o Pantanal.

As maiores ameaças à integridade da BAP são a fragilidade natural proporcionada pelas condições do relevo e pela natureza dos solos, e a remoção da cobertura vegetal original de forma generalizada, incluindo as matas ciliares e vegetação das nascentes, em função da expansão das atividades humanas a partira da década de 1970, com a agricultura e da pecuária.

Por ser um dos locais do planeta de maior biodiversidade, o Pantanal foi declarado Patrimônio Nacional, pela Constituição de 1988; Sítio Ramsar, em 1993; e Patrimônio Natural da Humanidade e Reserva da Biosfera, pela UNESCO, em 2000.